Etiópia. António Guterres “chocado” com a expulsão de diplomatas da ONU

O Ministério das Relações Exteriores etíope anunciou nesta quinta-feira, 30, a decisão de expulsar sete funcionários da ONU. Os diplomatas foram declarados persona non grata pelo governo e devem deixar a capital dentro de três dias.

A decisão do governo etíope chocou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que, em comunicado de imprensa, lembrou que “todas as operações humanitárias das Nações Unidas são guiadas pelos princípios fundamentais de humanidade, imparcialidade, neutralidade e independência”.

Para António Guterres, “na Etiópia, a ONU está a fornecer ajuda para salvar vidas – incluindo alimentos, medicamentos, água e equipamento de saneamento – para aqueles que precisam desesperadamente”, antes de prosseguir. Para reafirmar “totalmente” a sua confiança “na ONU pessoal que está na Etiópia para fazer este trabalho”.

Os diplomatas da ONU são acusados ​​de interferirem nos assuntos internos do país, fruto do impasse entre o governo e as organizações humanitárias, que estão alarmadas com a situação na província de Tigray.

O representante do Unicef ​​na Etiópia, cinco diplomatas do escritório de coordenação humanitária da ONU ou um funcionário do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos terão que deixar a capital etíope no próximo domingo.

Esta expulsão espetacular é o resultado de vários meses de escalada entre, por um lado, um governo etíope inflexível e, por outro, uma comunidade humanitária cada vez mais frustrada, em particular pela falta de acesso à província de Tigray.

Não é a primeira vez que agências humanitárias são sancionadas na Etiópia. A Médicos sem Fronteiras (MSF) e o Conselho Norueguês de Refugiados (NRC), cujas actividades ainda estão suspensas desde Agosto do ano passado, já haviam experimentado o “braço pesado” das autoridades do país.

Reacção de Washington

Em resposta, os Estados Unidos condenaram a expulsão dos sete diplomatas e prometeram não hesitar em usar qualquer ferramenta à sua disposição contra as medidas tomadas contra as agências da ONU, lembrando que as autoridades americanas tiveram a possibilidade de aplicar sanções financeiras aos protagonistas do conflito que assola o norte da Etiópia.

A ONU está a pressionar o estabelecimento de corredores humanitários na região e reclama dos bloqueios físicos e administrativos impostos por Adis Abeba. O director da mesma agência humanitária da ONU, o britânico Martin Griffiths, comparou esta semana o desastre em curso em Tigray com a fome dos anos 1980 na Etiópia, o que provavelmente contribuiu para colocar os diplomatas da ONU na lista de persona non grata.

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