Declínio das exportações petrolífera gera perdas de 42,8 mil milhões USD para a economia angolana

O declínio nas exportações de petróleo bruto gerou, nos últimos sete anos, perdas para a economia nacional em torno dos 42,8 mil milhões de dólares norte-americanos. Os dados constam de um relatório de pesquisa divulgado, na quarta-feira, 27, pela PetroAngola  — consultora nacional independente voltada para pesquisas ligadas à exploração de petróleo e gás e seus derivados .

Apresentados durante um workshop que teve lugar no Edifício Kilamba, em Luanda, do montante perdido, cerca de 15,8 mil milhões USD dizem respeito àquilo que entraria para os cofres do Estado por via do pagamento de impostos petrolíferos e recebimentos da concessionária nacional, no caso a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

De acordo com o fundador e CEO da PetroAngola, Patrício Quingongo, ao longo dos últimos sete anos observou-se uma redução no volume de petróleo exportado por Angola, na ordem dos 7%, uma queda de 92,142 mil barris/dia (KBPD), equivalente a 2,802 milhões de barris (MMBBLS/mês) por mês e 33 milhões de barris por ano (MMBBLS/ano).

Em 2021, segundo a ANPG, Angola exportou em média cerca de 1,131 milhões MBPD, o valor mais baixo dos últimos sete anos, com um diferencial de 37% em relação a 2015, ano em que se verificou o maior volume de petróleo exportado.

O volume total em perdas registadas em 2021 foi de 724,621 MMBBLS, com uma redução anual de cerca de 120,770 MMBBLS, nas exportações.

Pesquisas da consultora apontam as falhas em equipamentos críticos como uma das principais causas da suspensão ou redução das actividades operacionais em vários blocos petrolíferos.

“As paragens não-programadas representaram cerca de 70% do total de perdas, equivalente a aproximadamente 34 MMBBLS e, em termos percentuais, cerca de 6,8% da produção total de petróleo entre 2019 e 2021.

O balanço indica ainda que as paragens não planificadas têm sido provocadas por problemas técnicos, como avaria de equipamentos mecânicos e eléctricos nalgumas instalações petrolíferas e a falta de manutenções preventivas regulares dos equipamentos.

O baixo investimento para a melhoria das instalações e equipamentos dos blocos em produção, que já apresentam desgastes decorrentes do processo de uso normal após quase 20 anos em produção, são também uma das causas apontadas como factor que contribuiu significativamente para a queda da produção e exportações do petróleo angolano.

Os constrangimentos e limitações impostas pela pandemia da covid-19, não ficaram de parte na lista das principais causas da ‘quebra’.

“A indisponibilidade de técnicos especializados expatriados, resultante das medidas de combate e prevenção à Covid-19, que limitaram a mobilidade de pessoas e bens, e inclusive o fecho de algumas fronteiras, também influenciaram na queda das exportações”, apontam os analistas da consultora nacional.

De acordo com o gráfico apresentado pelo analista do mercado petrolífero da PetroAngola, Vladimir Pereira, Angola iniciou o corrente ano de 2022 com uma produção média diária de 1.189 MMbb/d, tendo caído em Março para 1.133 MMbb/d. Para este ano, Angola estima atingir o pico de produção de 1.119 MMbb/d, e um mínimo de 1.104 MMbb/d.

No que diz respeito ao nível de exportação, o país exportou, em Janeiro, em média 1.211 milhões de barris por dia (MMbb/d), e um volume relativamente mais baixo de 1.90 milhões de barris/dia, em Março.

Para este ano, embora já se tenha atingido uma exportação média de 1.211 MMbb/d, o país prevê um mínimo de exportação de 1.071 MMbb/d, sendo a média razoável estimada em 1.118 MMbb/d.

Bernardo Pires

Bernardo Pires

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