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Carlos Rosado de Carvalho considera que os media públicos estão a fazer propaganda política com o objectivo de influenciar o voto no MPLA

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O jornalista e economista Carlos Rosado de Carvalho defendeu, nesta quarta-feira, 15, em entrevista exclusiva à DW África, que em Angola, a nível dos media públicos, não há informação como tal, mas sim propaganda política, com o objectivo de influenciar as pessoas a votarem no MPLA.

“A Constituição diz que a imprensa pública tem que dar um tratamento imparcial aos diferentes partidos. Nós não temos informação em Angola, nos media públicos. Nós temos propaganda. As eleições que se avizinham estão viciadas. Toda esta propaganda que está a ser feita através dos media públicos tem o objectivo de influenciar o voto das pessoas no sentido de votarem no MPLA”, considerou Carlos Rosa de Carvalho.

O jornalista, que nos últimos dois, três meses tem desenvolvimento um trabalho de monitorização do tempo de antena concedido ao MPLA e ao seu candidato no principal canal público de televisão, a TPA 1, afirma que tem alguma dificuldade em perceber em que qualidade João Lourenço aparece nos media públicos, “se é na qualidade de titular do poder executivo, se na qualidade de presidente do MPLA”.

“Na quinta-feira, 9 de Junho, dia em que o Presidente deu uma conferência de imprensa, no telejornal da TPA, que é o principal jornal do dia, provavelmente o mais visto, o telejornal teve dez peças. Nove dessas peças foram dedicadas ou envolveram, de forma directa ou indirecta, o Presidente da República. Feitas as contas neste noticiário, o Presidente da República teve uma hora, dois minutos e doze segundos [de tempo de antena]”, exemplificou.

Rosado de Carvalho, que não acredita em eleições justas a 24 de Agosto próximo, defende que, “para votarem, as pessoas têm que estar informadas, têm que conhecer os programas dos diferentes partidos”.

“Se passassem coisas do João Lourenço, mas houvesse um mínimo de isenção [na abordagem, tudo bem]… No entanto, nós não vemos uma crítica a João Lourenço”, salienta o economista e também docente universitário, para quem “o líder do MPLA tem praticamente o monopólio da imprensa pública, em particular das televisões”.

Irónico, Rosado de Carvalho analisa o desempenho da Televisão Pública de Angola mais como um canal propriedade do MPLA, uma espécie de TMPLA, “tal é o tratamento desigual dispensado aos diferentes concorrentes às eleições gerais”.

Nesta terça-feira, em declarações à Voz da América, o porta-voz e secretário para Informação do Bureau Político do MPLA, Rui Falcão Pinto de Andrade, atribui responsabilidade aos directores editoriais e aos jornalistas pelo “excesso de zelo” e pela “auto-censura” que se verifica no desempenho dos media públicos.

Rui Falcão negou que os profissionais recebam ordens ou orientações do MPLA para darem tratamento diferenciado a outros actores políticos, principalmente à UNITA, que se vem queixando do que chama de “barbárie”, derivado da “mão do partido no poder que na sua cultura de exclusão vai ao ponto de transformar estes órgãos em tentáculos do seu Departamento de Acção Psicológica e Propaganda com a exclusiva pretensão de demostrar que é o único partido capaz de governar o país”.

*Com DW África/VOA

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