Brasil. Candidato às eleições presidenciais, Lula quer “recuperar a democracia”

 Brasil. Candidato às eleições presidenciais, Lula quer “recuperar a democracia”

Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva speaks at the metallurgical trade union while the Brazilian court decides on his appeal against a corruption conviction that could bar him from running in the 2018 presidential race, in Sao Bernardo do Campo, Brazil January 24, 2018. REUTERS/Leonardo Benassatto NO RESALES. NO ARCHIVES

O ex-chefe de Estado brasileiro e candidato presidencial Lula da Silva afirmou esta quinta-feira que é preciso derrotar Jair Bolsonaro “para recuperar a democracia”.

No seu primeiro discurso público, horas depois de ter sido oficialmente nomeado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) como candidato às eleições presidenciais de 2 de Outubro, Lula da Silva frisou: “Não estamos perante uma eleição comum, estamos perante um fascista cercado por milicianos de todos os lados e precisamos de o derrotar para recuperar a democracia”.

A convenção em que a candidatura de Lula foi oficializada foi um evento de baixo perfil, realizado num hotel de São Paulo à porta fechada, ao mesmo momento em que Lula liderava um comício na cidade de Recife.

“Podia ficar em casa, manter o título de melhor Presidente da história do Brasil e viver os últimos anos da minha vida, mas estou a ver um país a ser destruído”, declarou.

O país, na opinião do ex-Presidente brasileiro, está hoje em pior estado do que quando tomou posse em 2003, com “maior dívida, inflação (quase 12%) e desemprego (11%)”, entre “a destruição de instituições e o desmantelamento de políticas públicas”.

Lula, que é o favorito para as eleições presidenciais de 2 de Outubro de acordo com todas as sondagens, explicou que concorre à Presidência pela sexta vez com a intenção de “consertar” o Brasil e fazer “mais e melhor” do que nos oito anos em que exerceu a Presidência.

Lula garantiu ainda que se ganhar as eleições não se preocupará apanhas com política fiscal, para que não aconteça o mesmo que aconteceu ao Presidente da Argentina, o seu “amigo” Alberto Fernández, que venceu as eleições de 2019 com “a perspectiva de resolver” os problemas económicos do seu país, mas “não conseguiu” devido à dívida milionária com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que — salientou — herdou do mandato de Mauricio Macri.

“Amanhã este Brasil será de novo o país dos nossos sonhos, com cultura, emprego, lazer e onde todos ajudam a construí-lo”, concluiu perante os seus apoiantes na capital do estado de Pernambuco.

Esta será a sexta vez que o antigo operário lutará para se tornar Presidente do Brasil, após três tentativas infrutíferas (1989, 1994 e 1998) e duas vitórias (2002 e 2006).

Em 2018, o ano em que Bolsonaro ganhou, também aspirou a procurar a Presidência, mas o sistema de justiça eleitoral impediu-o de o fazer porque foi condenado por corrupção.

Mas, em Março de 2021, a sua vida deu uma volta de 180 graus, quando recuperou os seus direitos políticos graças a uma decisão do Supremo Tribunal que anulou as duas sentenças, pelas quais passou 580 dias na prisão.

A realização de convenções partidárias, como a que hoje aconteceu no PT, é um passo essencial no processo eleitoral brasileiro, uma vez que definem os nomes que irão concorrer a cargos electivos nas eleições presidenciais, regionais e legislativas.

Na quarta-feira, o advogado Ciro Gomes foi anunciado oficialmente como candidato do Partido Democrático Trabalhista à presidência do Brasil para “enterrar” os modelos políticos encarnados pelo Presidente Jair Bolsonaro e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A campanha de Ciro, que vai disputar o Palácio do Planalto pela quarta vez, adoptou o lema “vote em um e livre-se dos dois”, numa referência a Lula e a Bolsonaro.

No domingo será a vez de Bolsonaro, que será proclamado o candidato do Partido Liberal (PL), num evento no Rio de Janeiro, o local de nascimento do político.

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