BD exige de João Lourenço declaração de estado de emergência rodoviária para “travar massacre” nas estradas do país
O Bloco Democrático (BD) exigiu, nesta quinta-feira, 27, do Presidente João Lourenço a “declaração de estado de emergência rodoviária e salvação de vidas” em face dos últimos acontecimentos nas estradas do país, que resultaram na morte de dezenas de cidadãos e no ferimento, com gravidade, de outras tantas.
Através de uma carta aberta dirigida ao titular do Poder Executivo, datada de 24 de Março, o BD — “imbuído do seu dever de fiscalização social e compromisso com a dignidade da pessoa humana” — denuncia aquilo que considera tratar-se no “maior ‘cemitério silencioso’ do país: as nossas estradas nacionais”.
“Angola não está apenas a perder cidadãos por ‘acidentes de viação’; está a perder o nosso capital humano por uma combinação letal de corrupção institucional, negligência técnica e infra-estruturas descartáveis”, afirma o partido político, justificando, com isso, a necessidade de se declarar o “estado de emergência rodoviária e de salvação de vidas”.
Para o efeito, o BD avança considera quatro medidas que entende serem de carácter urgente e cuja execução passaria pela intervenção directa do Presidente da República, a fim de se travar o que chama de “massacre” existente nas estradas angolanas.
Tolerância zero à extorsão rodoviária
Em primeiro lugar, o partido político exige uma auditoria geral às estradas nacionais, através de uma investigação dos contratos de construção e manutenção das estradas, a ser conduzido pela Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE).
O BD considera “inadmissível que estradas recém-inauguradas se transformem em armadilhas mortais, em menos de um ano”, só porque “alguém lucrou com o que o povo está a pagar com a vida”.
Em segundo lugar, o BD exige do Presidente da República a declaração de “tolerância zero à extorsão rodoviária, atacando-se o fenómeno da ‘gasosa’ nas estradas, que, na sua opinião, “deixou de ser um pequeno vício para se tornar um crime contra a vida”.
“Exigimos a digitalização imediata da fiscalização e a expulsão exemplar de agentes que permitem a circulação de veículos sem condições técnicas em troca de subornos”, aponta a carta aberta.
Rede de emergência médica
Aquela força política na oposição exige ainda que se acabe com a emissão facilitada de alvarás de transporte colectivo de pessoas e bens e cartas de condução profissionais, defendendo que a ideia de que “transportar angolanos exige competência certificada, na base da carreira profissional, contra conexões políticas ou subornos”.
No ‘Plano Nacional de Socorro e Trauma, a quarta exigência da formação política, o BD defende que Angola precisa de uma rede de emergência médica ao longo das vias principais, alegando que hoje se “morre nas estradas do país não pelo impacto, mas pelo abandono e pela ausência de um sistema de saúde que chegue a tempo”.
Quase meia centena de mortes
Entre Fevereiro e Março de 2026, Angola registou um número elevado de acidentes rodoviários mortais. Apenas num único fim-de-semana, no início de Março, ocorreram 84 acidentes com 48 mortos. Em Fevereiro, outro período de 72 horas registou 21 mortos, com acidentes de destaque, como o ocorrido em Cabo Ledo a 15 de Março, que resultou em 12 mortes.
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