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Venezuela. Oposição diz que só foram libertados 2% dos presos políticos

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O principal bloco de oposição da Venezuela criticou hoje que tenham sido libertados apenas 24 presos políticos desde quinta-feira, quando foi anunciada a libertação de um “número significativo” de pessoas.

A Plataforma Democrática Unitária (PDU) salientou que “quase mil pessoas” continuam detidas por motivos políticos, numa situação que constitui uma “táctica deliberada de protelação” e mostra um “escárnio inaceitável”.

O número de presos libertados “representa pouco mais de 2%” do total, sublinhou.

Este cenário “é agravado por muitos dos libertados terem estado sujeitos a medidas cautelares pesadas”, acrescentou a PDU, numa mensagem publicada nas redes sociais, reiterando que o número verificado de libertações é inferior às 116 anunciadas pelo governo.

Na semana passada, Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da Presidente interina venezuelana, Delcy Rodriguez, anunciou a libertação de um “número significativo” de pessoas, sem divulgar uma lista com o total ou especificar nomes.

O Ministério do Serviço Penitenciário da Venezuela disse que foram libertadas, nas últimas horas, 116 pessoas detidas por “actos associados à perturbação da ordem constitucional e ameaça à estabilidade da nação”.

A organização não-governamental Foro Penal, de defesa dos presos políticos na Venezuela, confirmou a libertação de mais de 40 pessoas.

A PDU exigiu que os responsáveis “avancem, sem demora, para a libertação plena e imediata de todos os presos políticos, sem exceções ou condições arbitrárias”.

Para o bloco, esta exigência é “ainda mais urgente” depois da morte, no sábado, do preso político Edison José Torres Fernández.

Esta morte eleva para 26 o número de presos políticos falecidos sob custódia do Estado, indicou a PDU.

“Não pode haver portas giratórias. É inaceitável libertar uns enquanto outros são detidos, perseguidos ou sujeitos a processos judiciais infundados”, considerou.

“A justiça não pode ser selectiva nem utilizada como mecanismo de pressão política”, afirmou ainda, apelando à comunidade internacional para que se solidarize com as famílias que, nos últimos dias, têm mantido vigílias em frente a várias prisões, aguardando a libertação dos seus entes queridos.

LUSA

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